1998. Um ano inesquecível, pelo menos para mim. Em plena Expo98 começam as cólicas. Não me recordo como estive nos dias anteriores mas acho que não se passou nada. Tinha de ser na Expo98, lembro-me de andar à procura do WC mais próximo por diversas vezes. Estava com um amigo, coitado. A dada altura quando temos cólicas deixamos de pensar. Não vale a pena falarem conosco, não se ouve nada. A nossa visão também começa a ser seletiva. Só vemos uma coisa: sanitas. Eu queria uma só para mim se não fosse pedir muito. Com as horas a passarem e eu a passar-me, cheguei ao fim da tarde. As cólicas aumentavam e a procura também. Lembro-me que nessa fase do dia eu tinha uma festa maior que a Expo98 dentro da minha barriga, e ia continuar. Dou por mim a correr, sim a correr. Quero uma casa de banho aqui! O meu amigo estava preocupado comigo e também corria. Casa de banho em manutenção. Socoooooorro! Por fim entrei num WC e nem sei se levava as calças na cintura ou nos joelhos. Ahhhhhhh! Que alívio! O meu amigo perguntou-me num tom paternal: "João, tu estás bem?" Esta frase está gravada na minha memória. No meio do fogo de artifício que eu fazia naquela sanita consegui responder: "Não, eu não estou nada bem" Olhei para a sanita e fiquei ainda pior. Sangue. A festa lá fora continuava mas para mim foi o encerramento. Como o meu amigo é meu amigo fez-me o favor de não fazer muitas perguntas. Viu a minha cara e deve ter ficado com medo. Fui para casa de táxi. Se o taxista soubesse que eu era uma espécie de bomba atómica não sei se me deixava entrar. Cheguei a casa da minha mãe e não comentei nada. Para quê espalhar o pânico? Se dissesse alguma coisa logo uma invasão de perguntas e eu sentia-me aqueles três macacos sábios. Deixem-me em paz! Tinha medo mas tinha mesmo de ir ao médico.

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